terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Moça Mais Bonita da Cidade

Sabe aquela moça, a mais bonita da rua? Aquela que o filho do fazendeiro, do comerciante mais rico e o filho do prefeito querem namorar? Pois então, eis quem nunca fui nenhum desses abastados; era apenas um reles menino esquecido, cuja única coisa a oferecer a essa moça (sabe-se lá quem) foiesse conjunto breve de versos.




A Moça Mais Bonita da Cidade

A moça mais bonita da cidade
Desfila em seu vestido primavera.
O povo, que já sabe a hora, espera
A moça mais bonita da cidade.

Seu véu castanho é mel da divindade.
A boca, perfeição! Será quimera?
Endoida a flor, o sol, o moço, a fera
A moça mais bonita da cidade.

Nas curvas dessa moça a sanidade
Dos homens se despede e se esfarela;
Capaz de colocar um padre em cela
A moça mais bonita da cidade.

Por trás dos mil olhares a vontade
Insana de tocar-lhe à luz da vela.
Pergunta um forasteiro: "-Quem é ela?
É a moça mais bonita da cidade?!".

Carlos Witalo
15/08/2012

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

2013. Vamos andar de verdade agora.

Saudações, meus poucos e caríssimos visitantes.

Sem mais, deixo-vos mais uns versos meus:


O Cemitério

Os galhos o vento balança
E voz não se ouve a menor.
A lua no céu é criança:
Das nuvens brincando ao redor.

Na lápide um corvo descansa,
Grasnando seu cântico mor,
Enquanto mil corpos, sem dança,
Desfazem-se em ossos e dó.

Em meio à infinita tristeza
A Morte, infeliz e ilesa,
Mais quer devorar, ser maior.

E Cova, com grande fineza,
Conduz os mortais à beleza
Do fado do mísero pó.

Carlos Witalo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Primeiro Post

Faz muito tempo que eu não sei o que é escrever num blog. O primeiro eu tive e usei mais ou menos entre 2004 e 2005. Cá vou eu de novo.

Hoje faz duas semanas que caí ridiculamente de moto, derrapando o pneu no acostamento cheio de cascalho da BR-324. Dou graças a Deus por a queda ter sido num lugar que não fosse o meio da pista.
O chato é que foi dois dias antes do meu aniversário; logo, "comemorei" meu dia com o pé inchado e latejando, comendo pedaços de pizza que não contivessem porco ou ovo no meio.
Bola pra frente!

Deixo aqui um poema feito recentemente, descontraído, para esquecermos do pé, que por sinal já está quase curado, graças a Deus e aos tratamentos da enfermeira Piu, meu amor.



Pulando O Muro Errado

Juca esquivou da goteira,
Pisou na lameira
E deu palavrão.

Da cova passou pela beira,
Chutou uma caveira
Largada no chão.

Mirou, bem vestido de preto,
Um enorme esqueleto
De olhos vazados.

E almas, formando um sexteto,
Cantaram do Guetto
Seus dias cansados.

Esquivando de sombrio espaço,
De tão fúnebre laço,
Correu sem parar.

Ouviu tal qual voz de um palhaço
Imerso em cansaço:
"- Não tema voltar..."



Um abraço.